Vamos tomar um chá?

A interessante história por trás da Praça do Pavilhão do Chá em João Pessoa, que se consolidou como ponto de encontro de intelectuais a casais apaixonados.

11/24/20242 min read

No centro histórico de João Pessoa, há uma praça que vai além da beleza dos canteiros e do charme do coreto: é a Praça Venâncio Neiva, conhecida popularmente como Praça do Pavilhão do Chá. Mais que um espaço de convivência, ela resume parte importante da história urbana, política e cultural da capital paraibana [1].

A praça foi inaugurada em 21 de julho de 1917, num período em que João Pessoa vivia transformações impulsionadas por ideias de modernização urbana. Seu projeto inicial incluía um rinque de patinação, prática comum entre as elites da época, em sintonia com os costumes urbanos que se espalhavam pelo Brasil no início do século XX [1].

Esse cenário começou a mudar no final da década de 20, quando João Pessoa — então presidente do estado — decidiu criar um espaço inspirado nos tradicionais chás vespertinos, hábito associado à cultura britânica. A ideia era transformar o local em um ponto de encontro sofisticado. O Pavilhão só foi construído anos depois, em 1931, já sob o governo de Anthenor Navarro. Coincidentemente, sua inauguração aconteceu um ano após o assassinato de João Pessoa, figura que já se tornava símbolo político [2].

A edificação chama atenção por seus traços arquitetônicos: uma mistura de eclético com toques orientais, algo raro e curioso para a época. O projeto do coreto, atribuído ao arquiteto italiano Paschoal Fiorillo, exibe formas circulares e detalhes ornamentais em argamassa que reforçam o caráter decorativo e cerimonial do espaço [3].

Com o tempo, a praça se consolidou como ponto de encontro dos moradores — de intelectuais a casais apaixonados. Seus bancos, árvores e o próprio Pavilhão se tornaram parte da paisagem afetiva da cidade. Mesmo com reformas e alterações nos canteiros, a essência do projeto original foi preservada [1].

O valor histórico da praça e do Pavilhão do Chá foi oficialmente reconhecido em 1980, quando ambos foram tombados como patrimônio estadual. Décadas depois, em 2005, a prefeitura deu início a uma restauração para resgatar o espaço, que havia passado mais de 15 anos em abandono. A reabertura aconteceu em 2009, com o Pavilhão reformado e reativado como café e restaurante, mantendo viva sua vocação de espaço de convivência e memória [4] até aquele momento. Infelizmente essa situação não perdurou nos anos seguintes. Falaremos disso na próxima postagem.

Hoje, a Praça Venâncio Neiva é mais do que um local de passagem — é uma narrativa urbana em forma de arquitetura. O Pavilhão do Chá segue como testemunha das mudanças de João Pessoa, misturando tradição, memória e identidade em plena área central da cidade. Apesar disso, tem sido esquecida e pouco valorizada pelo turismo local.

Referências:

[1] Praça Venâncio Neiva. Wikipedia. Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Pra%C3%A7a_Ven%C3%A2ncio_Neiva
[2]
Pavilhão do Chá - Turismo João Pessoa. Disponível em: https://turismo.joaopessoa.pb.gov.br/o-que-fazer/pontos-turisticos/pracas-e-parques/pavilhao-do-cha/
[3]
Espaço emblemático — A União. Disponível em: https://auniao.pb.gov.br/noticias/caderno_diversidade/espaco-emblematico
[4]
Pavilhão do Chá volta a compor cenário histórico da Capital. Jornal da Paraíba. Disponível em: https://jornaldaparaiba.com.br/cotidiano/vidaurbana/pavilhao-do-cha-volta-compor-cenario-historico-da-capital